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Como é formado o preço do conilon no Espírito Santo

Atualizado em 13 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Quem produz conilon no Espírito Santo ouve todo dia a pergunta: "quanto está o café hoje?". Na maioria das conversas, a resposta parte da cotação do CCCV, o Centro do Comércio de Café de Vitória. Entender de onde vem esse número ajuda a negociar melhor e a não se assustar com cada sobe e desce.

O que é o CCCV

O CCCV é a entidade que reúne empresas do comércio de café no Espírito Santo, como exportadores, corretores e torrefadores. Entre outras coisas, ela divulga diariamente preços de referência para o café negociado no mercado capixaba. As cotações mais acompanhadas são:

  • Conilon tipo 7/8: o padrão mais comum de conilon comercializado no estado;
  • Arábica bebida dura e arábica bebida rio: referências para o arábica das montanhas capixabas e regiões vizinhas.

Os valores são em reais por saca de 60 kg, para café beneficiado, posto em Vitória ou na região. É um preço indicativo, ou seja, mostra em que faixa os negócios estão sendo feitos, e não um preço tabelado que o comprador seja obrigado a pagar.

O que faz o preço do conilon subir ou cair

O preço do conilon em Vitória é resultado de várias forças ao mesmo tempo:

  1. Bolsa de Londres. O conilon é da mesma espécie do robusta (Coffea canephora), negociado na bolsa ICE de Londres. Quando Londres sobe com força, o mercado interno costuma acompanhar, mesmo que com atraso ou em proporção diferente.
  2. Dólar. A bolsa é cotada em dólar. Com o real mais fraco, cada dólar vale mais reais, e o café exportado fica mais valioso em reais. Isso tende a puxar o preço interno para cima.
  3. Oferta e demanda aqui dentro. Na colheita, entre abril e julho, há muito café chegando ao mercado ao mesmo tempo, e a pressão de venda pode segurar os preços. Na entressafra, a oferta diminui.
  4. Demanda da indústria. Torrefadoras do Brasil e fabricantes de café solúvel usam muito conilon. Quando elas precisam repor estoque, disputam o café disponível.
  5. Clima e expectativa de safra. Uma seca forte ou uma florada ruim mudam a expectativa de quanto café vai haver no próximo ano, e o mercado antecipa isso no preço.

Por que o seu preço não é igual ao do CCCV

É comum o produtor ver a cotação no celular e receber uma oferta diferente do comprador. Isso tem explicação:

  • Qualidade do lote: tipo, peneira, umidade, cor, cheiro e defeitos mudam o valor. Um lote melhor que 7/8 pode ter ágio, e um pior, desconto.
  • Frete e localização: quanto mais longe do armazém ou do porto, maior o custo de levar o café, e isso sai do preço.
  • Impostos e taxas: descontos como o Funrural entram na conta.
  • Prazo e forma de pagamento: pagamento à vista, a prazo ou com entrega futura mudam o preço combinado.
  • Data da cotação: a referência do CCCV é de um dia específico. Se o mercado mudou depois, a oferta acompanha.

Dica prática: anote quanto o seu comprador costuma pagar acima ou abaixo do CCCV para o seu tipo de café. Na calculadora do app, você coloca esse ajuste em "R$ por saca" e passa a ver uma estimativa mais próxima da sua realidade.

Como acompanhar no dia a dia

  • Olhe a cotação do CCCV junto com Londres e o dólar. Os três juntos contam a história do dia.
  • Não decida pela variação de um dia só. Compare com a semana e o mês no gráfico para ver a tendência.
  • Use alertas de preço para ser avisado quando o conilon chegar no valor que você quer, em vez de ficar olhando a cotação toda hora.
  • Converse com mais de um comprador. A cotação de referência é o ponto de partida da negociação, não o ponto final.
Ver a cotação do conilon agora

Conteúdo informativo. Não é recomendação de compra ou venda. Confira sempre os preços com o seu comprador.

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