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Calendário da safra de café: florada, colheita e preço

Atualizado em 13 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

O preço do café tem uma relação forte com o calendário da lavoura. Saber em que fase a safra está, aqui e nos outros países produtores, ajuda a entender por que o mercado fica mais nervoso em certas épocas do ano. As datas abaixo são aproximadas e mudam de região para região e de ano para ano.

O ano do café no Brasil, de forma resumida

  • Setembro a novembro: florada. Com a volta das chuvas, a lavoura floresce. É o momento em que se forma a próxima safra. Uma florada boa e bem pegada anima a expectativa de produção, e uma florada fraca ou abortada por calor e seca acende o alerta.
  • Dezembro a março: formação e enchimento dos grãos. Os frutos crescem e enchem. Chuva regular nesse período é essencial. Veranicos, que são períodos secos e quentes no meio da estação chuvosa, podem reduzir o tamanho e o peso dos grãos.
  • Abril a julho: colheita do conilon. No Espírito Santo e em Rondônia, a colheita do conilon costuma começar mais cedo, por volta de abril, e se concentrar até junho e julho.
  • Maio a setembro: colheita do arábica. Em Minas Gerais, São Paulo, nas montanhas do Espírito Santo e em outras regiões, a colheita do arábica vai, em geral, de maio a setembro.
  • Junho a agosto: risco de geada. No inverno, as regiões de arábica mais ao sul e em áreas mais altas podem sofrer geadas, que danificam a lavoura e afetam a safra seguinte.

O "ano-safra" do café no Brasil costuma ser contado de julho a junho, por exemplo, safra 2026/27. É por isso que relatórios de produção e exportação usam essa contagem.

Como cada fase costuma mexer com o preço

  • Na florada, o mercado olha o clima com lupa. Calor e falta de chuva em setembro e outubro podem fazer a bolsa subir só pela expectativa de uma safra menor.
  • Na colheita, muito café chega ao mercado ao mesmo tempo. Produtores que precisam de dinheiro para pagar custos vendem, e essa oferta pode pressionar os preços internos.
  • No inverno, qualquer previsão de frio forte nas regiões de arábica mexe com Nova York.
  • Na entressafra, com menos café disponível, a disputa dos compradores pelo produto pode sustentar os preços.

Esses são padrões gerais, não regras. Um dólar muito forte, uma safra recorde ou uma crise lá fora podem fazer o mercado andar de outro jeito.

Bienalidade: o ano de carga e o ano de descanso

O arábica tem um ciclo conhecido como bienalidade: depois de um ano de produção alta, a planta tende a produzir menos no ano seguinte, para se recuperar. O mercado leva isso em conta nas estimativas de safra. No conilon, com poda programada, irrigação e manejo de clones, esse efeito costuma ser menor.

E os outros países?

  • Vietnã (robusta): a colheita principal acontece no fim do ano, por volta de outubro a janeiro. É aí que Londres fica mais sensível às notícias de lá.
  • Colômbia (arábica): tem duas colheitas no ano, a principal e a "mitaca".
  • América Central e México (arábica): colheita concentrada entre o fim e o início do ano.

Como as colheitas acontecem em épocas diferentes, sempre tem café entrando no mercado em algum lugar do mundo, e o preço reage às notícias de cada região.

Planejando as vendas

Conhecer o calendário ajuda a planejar. Alguns produtores evitam vender tudo no pico da colheita e dividem as vendas ao longo do ano. Outros fazem contratos de venda futura para garantir parte do preço. Qualquer que seja a estratégia, acompanhar a cotação e usar alertas de preço ajuda a não perder bons momentos.

Criar um alerta de preço

Conteúdo informativo. Não é recomendação de compra ou venda. Confira sempre os preços com o seu comprador.

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