Clima e café: seca, geada e chuva na hora errada
Atualizado em 13 de outubro de 2026 · 5 min de leitura
O café é uma cultura perene: a lavoura fica no campo por muitos anos, e o clima de hoje influencia a colheita do ano que vem. Por isso, o tempo é uma das maiores preocupações do produtor e um dos assuntos que mais mexem com as bolsas.
Seca e calor
- Na florada (setembro a novembro, em geral), calor forte e falta de chuva podem fazer as flores abortarem ou "estrelinharem", e a safra seguinte diminui.
- No enchimento dos grãos (verão), a falta de água deixa os grãos menores e mais leves, com mais grãos chochos e mal formados.
- No conilon, que é muito plantado em regiões quentes, a irrigação é uma grande aliada. Mesmo assim, períodos longos de seca podem levar à falta de água para irrigar.
Geada
A geada é um risco principalmente para o arábica nas regiões mais ao sul e nas áreas mais altas, no inverno, de junho a agosto. Uma geada forte queima folhas e ramos e pode comprometer não só a safra seguinte, mas também a de dois anos depois, porque a planta precisa se recuperar.
Geadas fortes em regiões produtoras do Brasil já provocaram algumas das maiores altas da história do café em Nova York. Por isso, no inverno, o mercado acompanha de perto as previsões de massas de ar polar.
Chuva demais e chuva na hora errada
- Na colheita e na secagem, chuva atrapalha a colheita e pode causar fermentações indesejadas no café, o que piora a bebida. É uma das causas do sabor "riado" e "rio".
- Chuva de granizo pode danificar flores, frutos e folhas em poucos minutos.
- Excesso de umidade favorece algumas doenças, como a ferrugem, e exige atenção ao manejo.
Vento e temporais
Ventos fortes podem derrubar flores e frutos e quebrar ramos. Na época da florada, um temporal pode prejudicar o pegamento das flores. Quebra-ventos e um bom planejamento da lavoura ajudam a reduzir esse risco.
Como acompanhar o tempo de forma útil
- Previsão dos próximos dias: ajuda a planejar a colheita, a secagem no terreiro, as pulverizações e a irrigação.
- Alertas oficiais: o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) emite avisos de tempestade, chuvas intensas, ventos fortes, baixa umidade, onda de calor e geada para cada município.
- Olhar as regiões produtoras: uma seca em Minas ou no Vietnã pode mexer com o preço do seu café mesmo que na sua região esteja tudo bem.
No Café Colodette, a tela de Clima mostra a previsão da sua cidade e destaca os dias bons e ruins para trabalhar na lavoura. Ela também mostra os alertas do INMET para o seu município e o seu estado, com os riscos e as orientações de cada aviso.
Clima e preço andam juntos
Quando o clima ameaça a safra de um grande produtor, a bolsa costuma subir antes mesmo de se saber o tamanho real do estrago, porque o mercado trabalha com expectativas. Depois, se a perda for menor do que se temia, o preço pode devolver parte da alta. Acompanhar o clima junto com as cotações ajuda a entender esses movimentos e a não tomar decisões no susto.
Conteúdo informativo. Não é recomendação de compra ou venda. Confira sempre os preços com o seu comprador.